Na cerimônia que abriu a campanha de prevenção, no Palácio do Planalto, Lula disse:
"Taí as camisinhas... agora vão se fuder!"
Isso é que é campanha, isso é que é prevenção.
O mundo de hoje na visão de um Superman.
Passando a viver aqui, não poderia ser diferente comigo. Apesar dos meus poderes, fui contaminado.
Seus sintomas ocorrem 52 vezes por ano. Se eu viver por 80 anos, passarei por isso 4.160 vezes. É muito sofrimento para uma pessoa só. É pior que Kryptonita porque vai matando aos poucos.
Os habitantes da Terra chamam esse período negro da vida de “segunda-feira”.
Ahh, que dia terrível esse! Se há algo pra dar errado, esse é o dia.
Seus sintomas aparecem desde o dia anterior. Podemos sentir a proximidade da segunda-feira por causa da quantidade de porcarias que saem da televisão desde o dia anterior à sua chegada. Sentimos náuseas, calafrios, vem uma depressão, ansiedade, irritação, nostalgia dos dias anteriores. Muitos se alcoolizam, assistem futebol ou ouvem músicas de qualidade duvidosa.
Enfim, lá no seu íntimo, você sabe que Ela está chegando.
Finalmente quando vira a meia-noite, o dia amanhece muito mais cedo do que no resto da semana. Seu corpo está em frangalhos, o uniforme não entra e a capa está amassada. A cabeça dói, as pernas não obedecem, o sol está mais quente e ofuscante do que de nunca.
O tratamento ideal seria um dia inteiro na praia. Esse sim é o dia certo para ir à praia; e não o anterior. É o dia em que mais me faria bem o sol amarelo desse sistema solar.
Mas nesse dia, de sóis mais belos, não se pode ir à praia. Pelo contrário, você se vê arrancado da cama em direção ao trabalho. Empacotado e enfurnado onde menos queria estar.
O trânsito está muito mais lento porque as pessoas estão muito mais dispersas e irritadas. Nada funciona direito. Nada é pra funcionar direito nesse dia. É completamente improdutivo. A semana deveria começar na terça. Mas, mesmo assim, Ela acontece e a gente tem que fazer força para atravessar as 24 horas de seus efeitos.
Boa sorte a todos que se descobrem super-heróis a cada segunda-feira.
Hoje os jornais anunciaram incessantemente uma tragédia que se abateu sobre grande parte da nação.
Vi homens e mulheres aos prantos, com as mãos na cabeça sem acreditar no que viram, ligando para os parentes, buscando consolo.
Vi jovens que, desde que saíram das placentas de suas mães, jamais poderiam esperar o que viram, desolados, imaginando como será o seu futuro daqui pra frente.
Não caiu outro avião, nenhum prédio explodiu, não fomos invadidos por ninguém, não morreu ninguém importante; apenas o coríntians, que foi rebaixado para a segunda divisão.
O que muda na minha vida? Não sinto nada, mas espero ver o desânimo nas ruas, as piadas de gregos contra troianos, a revolta e, quiçá, a violência, sob a justificativa da neurose futebolística.

O populacho transita opiado pelas ruas.
Agora há mais um assunto, além da neurose futebolística.
Os carros entulham as ruas e todos vão na mesma direção para lugar nenhum.
O retórico e democrático mal-gosto dá o tom.
São “ulelelês” e “ae-aês” entrecortados de batucadas ensurdecedoras.
A massa manobrada, o povo-gado, o cardume-humano, reduntantemente quer anunciar o que não precisa de arautos.
Dias antes, a cidade estaca em fealdade.
São tapumes, palanques e arquibancadas erguidos por todos os lados. Pequenos comércios se estabelecem com duas linhas cal no chão. Ruas, postes e pessoas se mudam, como se chegasse um furacão.
Para transitar, dormir e trabalhar, pedimos vênia ao Carnatal.
Mesmo com séculos e séculos de diferença, Carnaval e Carnatal têm a mesma finalidade: uma concessão do poder dominante para o povo celebrar suas festas pagãs.
Não vejo mais qualquer semelhança. São duas expressões culturais, mas apenas uma tem valor cultural.
Luxúrias e licenciosidades à parte, no Carnaval ainda se aprende alguma coisa com o enredo desenvolvido, há história, beleza, sonoridade, preciosismo… enfim, arte.
Já a bagagem cultural do Carnatal é inversa: aquela enorme procissão atrás do carro de som, aquele desfile social de vaidades, que toma as poucas ruas que temos, em nada me acrescenta, além da vontade de conhecer outros lugares fora daqui.
Não há explicação, justificativa ou qualquer realização nesse acontecimento; apenas o lucro de poucos e a dor de cabeça de vários.
O único resgate cultural do Carnatal é a reafirmação daquela máxima universal: “o seu direito termina onde começa o meu”.


Quando nasci fui chamado de RN, mas logo me distingui pelo CEP, onde pago o aluguel reajustado pelo IGPM e guardo meu carro financiado pela ABN.
Ao sair da fralda pro WC, comecei a pagar IR pelo CPF e me rastreiam pela CPMF.
Sofri até aprender o que é TPM.
Estudei CF, CC, CPC, CP e CPP para entrar na OAB.
Não me conformo de descontarem em mim o estresse do TCC só por causa da ABNT.
Pra relaxar vou à praia, mas por causa do UVA e UVB, uso FPS20.
Depois de tanto trabalhar, me aposento pelo INSS.
O Governo não se entende pelo P... MDB, SDB, SOL, T, C, L, ou V.
Lá em SP, terra do PCC, escorregou um avião da TAM e botaram a culpa na ANAC.
Nos EUA, os aviões da AA foram jogados contra o WTC.
Mas muita gente também morre de AIDS, mata pelo IRA ou sobrevive pela ONU.
No mundo do PC, me reduzi a um VC e levo no peito apenas um “S”.
Tudo tem nome, mas tudo tem sigla.
Disfarçamos os nomes em siglas para esconder seus efeitos. São como os xaropes amargos que transformaram em cápsulas pra ficar mais fácil de engolir. Abreviadas letrinhas que contêm séculos de história, milhares de vidas ou bilhões de dólares.
Não podemos viver sem as siglas. Elas afetam do pobre ao VIP.
P.S.: Se não tem como fugir das siglas, vou mandar essas FDP pra PQP!

Sexta-feira, 16h, uma loucura de trânsito.
Paro no semáforo e olho para o lado. Vejo uma criança de 3 anos em pé, no banco da frente do carro, sem cinto de segurança.
Olho pra cara da mãe da criança e não é a das mais amistosas.
Tenho que fazer alguma coisa. Sou um super-herói. Super-heróis não hesitam, senão não seriam heróis; senão não usariam capa e seriam à prova de balas.
Vou falar, mas lá vem bala! Ela vai dizer que a filha é dela, que eu não tenho nada com isso, me chamar disso e daquilo outro, mas a situação está bem definida: eu sou o herói, a vítima é a criança e a bandida, a mãe dela.
Falei. Veio chumbo. Disparou olhares e palavras. Nada de mais. Estou acostumado e nem senti. O objetivo maior foi alcançado: a criança foi pro banco de trás.
A invulnerabilidade é a compensação da exposição.
Mais um dia na vida do Superman.
Para o alto e avante!
Outro dia me perguntaram se eu sabia de uma oportunidade de emprego.
Respondi que ia ver se conhecia alguém que estivesse precisando daquele tipo de profissional.
A pessoa, talvez usando da liberdade que tem comigo, pediu a fórmula mágica da oferta e da demanda: “Mas tem que ser um emprego que ganhe muito e que trabalhe pouco, viu?”.
Devolvi a ousadia em tom de brincadeira (com o devido respeito a uma minoria): “Você não quer ser juíza de direito não?”.
E ela foi ainda mais longe e retrucou: “Nãaaoooo.... pra isso tem que ser formado e passar em concurso!!! É muito difícil”.
Já impaciente com a folga, disse: “Então entra pra política, vai ser candidata a alguma coisa, ora! Pra isso não se exige qualquer formação e paga-se bem até demais”.
E ela ainda me respondeu, desanimada: “Ahhh... mas pra isso precisa ter muito dinheiro e isso eu já não tenho!”.
Chegamos ao fim da conversa comigo sugerindo a ela investir na bolsa… na bolsa giratória nas esquinas da cidade, quem sabe assim ela chega a atuar um pouco em cada uma dessas áreas.
Ela abriu um sorriso animado e os olhos brilharam, como se já antevendo o sucesso do empreendimento.
Para o bom entendedor, esses parágrafos resumem a situação do país.

Se pessoas entram em conflito para mostrar que seu deus é o melhor, quem tem razão?
Ninguém.
Qualquer conflito, permeado da capacidade de ferir alguém, com sentimentos de ódio de “uns” contra os “outros”, é a plena confirmação de que o conflito não é religioso, mas odioso, e nenhum dos dois lados tem razão.
Isso não parece óbvio? Então por que ainda se mata, se rouba, se estupra, se abandona e se persegue, enfim, tanto de errado, sob a justificativa do nome de Deus?
Não tinha entendido porque no dia 07 de setembro há uma “parada”, se na verdade há um desfile, o que se faz marchando, andando, se mexendo.
Só depois que eu vi a quantidade de ruas que serão bloqueadas para o evento, percebi que a parada não é a dos militares, é a cidade quem vai parar.
A cidade vai parar porque não teremos como nos deslocar pra lugar algum. Vai ficar tudo parado, só passarão os soldados, os bombeiros, os cachorros, os aviões, as armas, os foguetes, os tanques e os escoteiros.
Que o país atualmente está uma parada eu sei, só não sei que razões históricas isso tem a ver com os militares, afinal, quem proclamou a independência foi um imperador, que não era do exército. Seria mais lógico termos uma parada de militares no dia da república, essa sim, proclamada pelo Marechal Deodoro.
Polêmicas à parte, em nada influi pra mim esse dia. Diante da conjuntura econômica mundial, não reflito mais se somos oficialmente independentes ou não. Prefiro refletir se somos ainda subdesenvolvidos ou não mais.
A única coisa boa no dia 07 de setembro, fora ser feriado, é o aniversário da minha prima, para quem aproveito a oportunidade para mandar aquele beijão de felicitações.

Quando você liga, sinto meus pezinhos não tocarem o chão, de tanta ansiedade, esperando você chegar.
Quando você chega, pulo em sua direção e não sei quanto tempo consigo ficar no ar antes de cair em seus braços.
Quando a gente passeia de mãos dadas, parece que estou flutuando de tanta alegria, parece que não preciso mais do chão.
Quando chego em casa, tomo um bainho gostoso e vou descansar, mas sonho que estamos voando, brincando entre as nuvens e as estrelas.
Assim descobri que sei voar... porque sou a filha do Superman.

Agosto, mês do desgosto.
Vai dizer que é lenda, vai dizer que é auto-sugestão, mas vai dizer que não tem um mês mais complicado que o danado do mês de agosto?
Disso todo mundo reclama e já virou até adágio: “agosto, mês do desgosto”!
Para mim esse mês foi assim: as semanas iam ficando cada vez mais difíceis. Chegava a sexta-feira e olhava pra trás e via quanta coisa, quantos problemas, quantos obstáculos tive que superar, quando normalmente as coisas não são assim. Na semana seguinte, a mesma coisa de novo, e a outra também. Só que pior. Ufaaaaa! Perguntei-me o que poderia estar havendo e a resposta veio logo… agosto... É claro!
Todavia, meu consolo é duplo.
Primeiro, as coisas mais cabeludas se concentram apenas num mês do ano. Temos os outros onze meses para contrabalancear.
Segundo, hoje é dia 24… essa droga tá acabando!




Com a minha super-visão, procurei as causas de um trânsito tão ruim quanto o daqui de Smallvile.
Será que o problema está na engenharia do tráfego?
Procurei nas ruas e não achei nada.
Estaria na superpopulação automobilística?
Olhei nos carros e não achei nada.
Será que é nos motoristas?
Procurei na cabeça deles e não achei nada.
Só então percebi que tinha achado o problema.
Não há nada na cabeça dos motoristas!
Essa praga urbana causa um mal contraditório: a pessoa fica tão lesa que nem consegue ser gentil.
Os carros com computador de bordo têm um QI maior do que o de alguns condutores. Os antigos são bem mais acelerados que os donos.
O que vejo nas ruas são motoristas conduzidos pelos carros; completamente entregues, à mercê deles. Acho que no CRV deveria constar o nome do carro no campo “proprietário” e o nome do sujeito na “especificação do veículo”. Afinal, quem conduz quem?
Não falo nem de andar rápido, falo apenas de andar, com um mínimo de eficiência: fechar a boca pra dirigir, fazer cara de quem sabe o que está fazendo, passar a terceira de vez em quando, sair no verde e não no amarelo, se hipnotizar com o celular ou se maquiar em outra hora, não entulhar o trânsito com seu bate-papo no sinal, respeitar a faixa rápida e faixa lenta (têm esses nomes com esse propósito mesmo), dar pisca-pisca, olhar pelo espelho, dar passagem, não fazer curvas a partir do meio da rua, sair da faixa dupla. Essas coisas tão elementares. É pedir demais?
Pior é quando, ao invés de não ter a menor idéia do que está fazendo, o o sujeito faz de maldade.
Aí não tem engenharia de trânsito que dê jeito, buraqueira que sacuda nem buzina que acorde.
O egoísta torna-se tão egoísta que não distribui seu egoísmo e continua agindo como se as ruas fossem dele, cantando "quem é o gostosão daqui, sou eu, sou eu, sou eu".
Conseguir chegar em casa depois de um dia de trabalho é outra luta.
São apenas seis quilômetros, mas se alinharmos os retardados que se vão pelo caminho, daríamos duas voltas pela Terra e atingiríamos a Lua.
Cadeia ... Não… Cadeia não… Uma jaula até que cairia bem, mas cadeia não resolve. Auto-escola para eles!

Há uma espécie de praga urbana que parasita os bens públicos como se fossem seus e se alimenta de dinheiro sugado das pessoas que param em seus domínios.
É um ser aparentemente calmo, mas cuidado, não o provoque porque ele é muito feroz. Defende o “seu” território com unhas-e-dentes (e facas e revolveres e capangas e ameaças…).
Parece ser invulnerável, porque o Estado, guardião do bem público, senhor do monopólio policial, judicial e legal; nada faz para nos salvar dessa praga.
Pode ser reconhecido por portar sempre um trapo característico, na mão ou no ombro (daí o seu nome científico), e também pela emissão de sons bem próprios, como “dá uma olhadinhae, doutor”, “trocadinhaeee... armenos dez centavos”, “lavadinhaeee…”, “vem, vem, vem, aeee, podeixar…”; ou mesmo um simples assovio “fiiiiiiiu” com o polegar para cima, diante de um sorriso amarelo; significando que você está sob seu poder.
Essa espécie tem variações muito perigosas. Uns são apenas pais de família fazendo o errado em busca do sustento, outros são verdadeiros lobos em pele de cordeiro.
Os camuflados de simplórios lavadores de carros, enganam desavisados, que, ao notar a falta do estepe, do macaco, do som, do livro que estava no banco de trás ou das moedas largadas no console; já é tarde demais.
Outros sabem de todos os seus movimentos e indicam aos chacais quais as melhores investidas.
Uma variação habita os semáforos, como lavadores de vidros, aguardando apenas a hora do melhor “bote” naquilo que você der mole.
Criminosos à parte, o flanelismo é um excelente investimento: o sujeito gasta apenas R$ 1,00 pelo trapo pendurado no ombro e com isso submete a população a sustentá-lo pelo resto da vida, ou seja, você tem que pagá-lo para usar o que já é seu, as ruas e calçadas.
Pagar por pagar, prefiro mil vezes um shopping, porque estou pagando pelo uso do espaço de alguém e não por aquilo que já é meu, e ainda haverá quem se responsabilize por qualquer dano. De qual risco o flanela nos preserva, a não ser dele mesmo?
Foi criando o risco e vendendo a falsa segurança que a máfia começou, nos EUA. Ninguém os conteve e vejam onde chegaram. A praga virou pandemia. Vamos resistir enquanto há tempo!