sexta-feira, maio 16, 2008

O Que Não é Amor...



Já se falou tanto em amor, amizade e paixão...
Que tal falarmos do que não é amor?

Se você precisa de alguém para ser feliz,
isso não é amor.
É CARÊNCIA.

Se você tem ciúme, insegurança
e faz qualquer coisa para conservar alguém ao seu lado,
mesmo sabendo que não é amado,
e ainda diz que confia nessa pessoa,
mas não nos outros, que lhe parecem todos rivais,
isso não é amor.
É FALTA DE AMOR PRÓPRIO.

Se você acredita que "ruim com ela(e), pior sem ela(e)",
e sua vida fica vazia sem essa pessoa;
não consegue se imaginar sozinho
e mantém um relacionamento que já acabou
só porque não tem vida própria
- existe em função do outro -
isso não é amor.
É DEPENDÊNCIA.

Se você acha que o ser amado lhe pertence;
sente-se dono(a) e senhor(a) de sua vida e de seu corpo;
não lhe dá o direito de se expressar,
de ter escolhas, só para afirmar seu domínio,
isso não é amor.
É EGOÍSMO.

Se você não sente desejo; não se realiza sexualmente;
prefere nem ter relações sexuais com essa pessoa,
porém sente algum prazer em estar ao lado dela,
isso não é amor.
É AMIZADE.

Se vocês discutem por qualquer motivo;
morrem de ciúmes um do outro
e brigam por qualquer coisa;
nem sempre fazem os mesmos planos;
discordam em diversas situações;
não gostam de fazer as mesmas coisas ou ir aos mesmos lugares,
mas sexualmente combinam perfeitamente,
isso não é amor.
É DESEJO.

Se seu coração palpita mais forte;
o suor torna-se intenso;
sua temperatura sobe e desce vertiginosamente,
apenas em pensar na outra pessoa,
isso não é amor.
É PAIXÃO.

Agora, sabendo o que não é amor,
fica mais fácil analisar, verificar o que está acontecendo e
procurar resolver a situação.
Ou se programar para atrair alguém por quem sinta carinho
e desejo; que sinta o mesmo por você,
para que possam construir um relacionamento equilibrado
no qual haja, aí sim, o verdadeiro e eterno amor.


Meu pai disse-me um dia:

"Filho... você terá três tipos de pessoa na sua vida:

- Um AMIGO,
aquela pessoa que você terá sempre em grande estima,
que você sabe que poderá contar sempre;
que bastará você insinuar que está precisando de ajuda
e a ajuda está sendo dada;

- Uma AMANTE,
aquela pessoa que faz o seu coração pulsar;
que fará com que você flutue
e nada importará quando vocês estiverem juntos;

- Uma PAIXÃO,
aquela pessoa que você amará,
desejará incondicionalmente,
às vezes nem lhe importando se ela lhe quer ou não,
e talvez ela nem fique sabendo disso.


Mas, se você conseguir reunir essas três pessoas numa só
- pode ter certeza meu filho:
- Você encontrou a felicidade."

(Augusto Schimanski - 1928/1973)

quarta-feira, maio 07, 2008

Super-"homens"


É engraçado e chega a ser até irônico!

Quantas vezes falei, blogs atrás, que Jesus Cristo foi o grande Super-homem que existiu na Terra.... e quantas vezes me falaram que "essa história de Superman é coisa de criança".

Falei e postei, noticiando o livro que trata da semelhança desses personagens, como "The Gospel According to the World’s Greatest Superhero" (O Evangelho segundo ao maior superherói do mundo), de Stephen Skelton; cuja capa ilustra esta postagem.

Recentemente, fuçando na internet, achei um blog, de David Bruce, desta vez comparando a história do filme Superman - The Movie, de 1978, com a trajetória bíblica do próprio Jesus; que é impactante, mas bem interessante de ler (link no final).

Heresia ou simples bobagem comparar Jesus com Superman?

O desafio não é comparar um com o outro. O verdadeiro desafio é nos compararmos a eles. Será que nós conseguiremos nos pautar, no dia-a-dia, com algum desses personagens em nossas atitudes; nos perguntarmos como agiria um ou o outro se estivessem no nosso lugar?

Muitos já conseguiram, descobriram seus poderes, suas divindades. Outros estão no processo. E muitos nem sabem que isso é possível.

Todos nós temos os nossos superpoderes, apenas muitos ainda não aprenderam a usar ou não despertaram para isso.

De todo modo, sigamos os exemplos dos super-homens que existem e dos que já passaram pela Terra e deixaram sua mensagem, seus sinais. Descubramos em nós mesmos onde estão os nossos super-poderes e façamos um bom uso deles.

Boa sorte a todos que descobrem o super-herói que existe dentro de si.

Para maiores referências:
http://www.entmin.com/htm/superman_book.htm
http://www.entmin.com/htm/speaking.htm
http://www.supermanhomepage.com/other/other.php?topic=c-interview-skelton
http://imwcastroalves.vilabol.uol.com.br/estudos/superman.htm
http://www.supergospel.com.br/noticia_superhomem-sendo-comparado-com-jesus-cristo-em-novo-filme_1019.html


quinta-feira, abril 17, 2008

Em nome de Deus! (clique aqui para "más" notícias)


Quando a gente acha que viu de tudo na vida, certas notícias mostram as maravilhas que a mão do homem ainda é capaz de operar.


Nesses dias, saiu na imprensa que, em determinado município pernambucano, Santo Antônio foi degredado à condição de vereador sem ter recebido um só voto.


Pervertendo o ditado, posso dizer o nome do santo, mas não posso contar o milagre.


Mesmo com idade para se aposentar há vários séculos, Santo Antônio não falta a uma seção. Sua estátua, e não um paletó, está sempre no plenário. Mas ele só vota por abstenção. O santo recebe salário mínimo sem se queixar e reverte tudo para um orfanato, já que fez voto de pobreza. Não tem assessores, verba de gabinete, de celular, de pasta, de notebook e auxílio moradia, pois já mora no paraíso. Todos o acham a simpatia em pessoa estão preparando uma festinha para ele no dia 13 de junho. Coisa de santo mesmo.


Mas santo virar vereador não me espanta. Quero ver é vereador virar santo!


Boa sorte a todos que votam em políticos “vivos” porque do jeito que está, nem santo agüenta.




quarta-feira, abril 09, 2008

Boa Viagem


Enganei-me redondamente ao achar que fazer as malas dá trabalho.


Fazer as malas é apenas maçante.


O problema se resume à atenção em levar tudo que precisamos e, muitas vezes, incluímos o supérfluo.

Trabalhoso e árduo mesmo é o desfazer das malas.


O desfazer de malas envolve retirar daquele minúsculo espaço, não apenas tudo que pusemos antes, mas também tudo que trouxemos de lá: caixas e mais caixas de inesquecíveis momentos, souvenires preciosos com gostinho de “quero mais” e a expectativa da passagem de retorno.


sexta-feira, abril 04, 2008

Vida louca, vida.


Eu não consumo veneno, evito a fast-food, o conservante, a gordura, o sal, o açúcar, o álcool e o tabaco.

Prefiro a salada, a sopa, o integral, o natural, o saudável.

Mas descobri que entre essas saladas tenho consumido um tempero perigoso e mais picante que a pimenta.

Estou colocando entre os pães e os alfaces… lá dentro… mais dentro que as vísceras… lá no fundo… mais fundo que o fundo do coração… os indigestos problemas do dia-a-dia.

E além de fazer isso não queimo essas calorias pesadas.

Então, pouco a pouco, eles vão corroendo, minando, inflando, inflamando e infartando o coração do jovem Super-herói.

Apesar de a vida ser um eterno corre-corre, isso não é atividade física. Tenho que me cuidar. Sou de aço, mas não sou de ferro.

Neste planeta, as voltas em torno do sol são muito poucas e quando a gente se dá conta, já foi.

A vida é uma louca vida, mas é breve, como diria o saudoso Cazuza.

sexta-feira, março 14, 2008

Conjunto habitacional



Enquanto andava pelas ruas do conjunto onde moro, observava as casas e percebi algo de óbvio, mas que me chamou mais ainda a atenção depois de assistir à entrevista de Ignácio de Loyola Brandão ao Professor Pasquale, onde aquele dizia que, na condição de cronista há mais de 10 anos da Folha e morador da cidade de São Paulo, não lhe poderia faltar assunto para escrever, pois o cronista é, sobretudo, um observador sensível do todo a sua volta.


Pois bem, voltando às casas do conjunto, percebi que elas eram feitas inspiradas em uma idéia comum, sob a mesma planta, têm originalmente a mesma área construída, a mesma altura; enfim, eram essencialmente iguais: casas de conjunto.


Percebi também que, com o passar do tempo e dos moradores, elas foram mudando e se diferenciando umas das outras: as cores, as obras de ampliação, as melhorias, os azulejos, a iluminação, o piso, as plantas, as árvores, os animais, galinheiros e canis. Umas até ganharam segundo andar!



Outras, por sua vez, foram sendo descuidadas, ficaram com as paredes descascadas, rachadas ou manchadas; receberam grades ou muros altos, que não se via dentro; outras acumulavam entulhos na varanda e nos quintais abandonados, dando-lhes um ar mais estragado ainda.


Esse observar de casas sugeriu-me uma comparação com as pessoas.



Assim como as casas do conjunto habitacional, as pessoas nasceram iguais perante a vida, mas com o tempo vão conquistrando atributos ou se depreciando por falta de cuidados.


Há pessoas que “enfeiaram” por fora, que perderam suas cores, que estão com suas paredes rachadas, que ergueram em torno de si muros de pedras brutas, com grades em forma de lanças, para protegê-las de algo do mundo exterior.


já outras apresentam uma fachada de beleza incompatível com a feiúra do interior. Há também pessoas coloridas, de tintas fortes, que se integraram com a natureza, que são bonitas interna e externamente, que, apesar das janelas de vidro, nunca foram usurpadas, e que já construíram o seu segundo andar (e quem sabe o terceiro).


Para as pessoas que se depreciaram por falta de cuidados, assim como as casas, nada que uma reforma não resolva.



As outras, que receberam melhorias e aumentaram seu “valor”, devem pensar: de que adianta serem belas e conservadas se à sua volta outras ainda precisam da dita “reforma”? O “conjunto habitacional” esta interligado e a melhoria de um elemento influi na do outro, assim como a depreciação; afinal, é o todo que conta.


Então, vamos continuar a edificar as nossas moradas... sempre e sempre..


Natal/RN, em 11 de outubro de 2005.

segunda-feira, março 10, 2008

Estar sozinho...


Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio.
As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos...
Individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer!
O amor romântico diz que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes acontece a despersonalização quase sempre da mulher.
Ela se abandona para se amalgamar ao homem.


A palavra de ordem deste século é parceria.
Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo.
Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.
Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.
O homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou.
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.


A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Quer a aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.
Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.


A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.


Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo.
Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.


O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém.
Algumas vezes, você tem de aprender a perdoar a si mesmo...


Autoria de Flávio Gikovate

http://maisvoce.globo.com/mensagem.jsp?id=16274




quarta-feira, março 05, 2008

Carros


Eu queria conhecer o critério de criatividade das propagandas de pasta de dente, cigarro, cerveja e carro.

São todas rigorosamente iguais, seja qual for a marca.


Pasta de dente: gente brincando e, portanto, sorrindo. Até aí tudo bem.

Nas de cigarro, alguém praticando esporte. Não é um paradoxo?

Nas de cerveja: mulheres. Será verdade ou ilusão?


Agora, propaganda de carro é que me perturba de verdade.

Não fumo, raramente bebo e escovo os dentes três vezes por dia, portanto não tenho muitos problemas com esses temas.

Mas com carro é diferente.


Tenho sido castigado com momentos intermináveis dentro dele e acho que alguma coisa está diferente da realidade.

Vocês já repararam que em todas as propagandas de carro a cidade está deserta e o sujeito pode dirigir tranquilamente pelas ruas, curtindo seu carrão?

Isso não é real! Que cidade é essa? Onde é que fica, pra eu me mudar pra lá?

A realidade é a de cruéis engarrafamentos quilométricos, trânsito lentíssimo e gente dementada empalhando a passagem.


Eu me pergunto: por que ninguém teve a idéia original de fazer uma propaganda onde mostre o sujeito confortável em seu carro, no meio do engarrafamento, debaixo de um sol escaldante, sem nem se preocupar com o que ocorre à sua volta? Um carro que agüente o “primeira-segunda-primeira-segunda”?


O resto pra mim é ficção científica.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Cometimento

Hoje cometi um pecadinho.


Uma pequena ousadia.


Uma arte.


Uma excentricidade.


Por causa dele, passei o dia me sentindo diferente, como se estivesse escrito em minha testa a culpa do que fiz.


Andava na rua e achava que todos me olhavam sabendo dessa picardia.


Estava leve, irresponsável, inconseqüente, descomprometido e livre; como há muitos anos não me sentia.


Praticamente voltei à infância, à alegria juvenil.


Tirei um peso dos ombros... que alívio!


Andava lépido e faceiro, alheio a tudo e a todos.


E vim confessar para vocês minha extravagância:


deixei o celular em casa!

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Eu não quero um carro novo


Pelo que tenho visto nas ruas, os carros novos são tão ruins que as pessoas se escondem atrás de películas, de tanta vergonha que sentem deles.

Os carros novos não andam nada. Só têm até terceira marcha e se arrastam no meio do trânsito. O meu, mesmo velhinho, vai passando por todos eles a 50 por hora.

Só não consigo passar quando os carros novos dão pane e param no meio da rua, no estacionamento do shopping, em frente às escolas, clínicas, etc. Mas assim que entra alguém, eles logo voltam a funcionar e o resto do mundo pode seguir seu destino.

Mas eles são muito difíceis de dirigir mesmo. São muitos fatores de dispersão: porta-copo, porta-fone, porta-chave, espelhinho, maquiagem, escova, pranchinha, manicure, ar, som, vídeo, tv. Quando o sinal abre o motorista fica tão confuso que o carro só sai do lugar depois de muito custo; aí já tá quase na hora de fechar de novo.

E quando estão em “movimento”, sempre vejo o motorista falando ao celular. Acho que é pedindo alguma orientação, porque ele fica usando as duas faixas ao mesmo tempo. Dá pra ver a expressão de dificuldade. Parece que não tem a menor idéia do que faz.

Pra fazer uma curva então: outra via crucis. Os carros novos não vêm equipados com retrovisores nem luzes no pisca-pisca. Então sempre sou surpreendido com uma repentina mudança de trajetória… em rota de colisão comigo. É uma luta dirigir um carro assim. Se meu carro não fizesse curvas ou freasse rápido, já teria perdido ele várias vezes por causa dos carros novos.

Uma idéia genial para as montadoras de veículos é um sistema automático, que permita ao motorista dirigir alcoolizado sem matar ninguém; e a retirada do dispositivo que amputa dedos ao rebater o banco traseiro.

A única coisa que presta num carro novo é o som. Isso sim é evidente. Tão evidente que não é possível prestar atenção em mais nada na vida quando um carro novo passa.

O único problema é o porta-malas, que não fecha por falta de espaço. Outra coisa em que meu carro velho é melhor que os novos.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Ecos de Brasília

Sugestão: que tal uma CPI pra saber por que o pessoal de Brasília faz CPI por causa de tudo?

Dica: a gratificação que os parlamentares recebem.

Adágio popular (adaptado): "se for dirigir, não beba; se for beber, não dirija; se for beber e dirigir, compre bebidas em estabelecimentos fora das BR´s".

Comentário: será que viverei tanto pra ver outra lei tão inteligente quanto essa? Aqui no Estado apenas três pessoas morreram a menos que no carnaval passado, mas número de autuações por direção alcoolizada aumentou em 200%.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Prevenção

Foi anunciado que o Governo distribuirá mais de 19 milhões de preservativos durante o carnaval 2008.

Na cerimônia que abriu a campanha de prevenção, no Palácio do Planalto, Lula disse:

"Taí as camisinhas... agora vão se fuder!"

Isso é que é campanha, isso é que é prevenção.

domingo, dezembro 30, 2007

terça-feira, dezembro 18, 2007

A estranha síndrome

Os habitantes deste planeta sofrem de uma estranha doença pandêmica e intermitente.

Passando a viver aqui, não poderia ser diferente comigo. Apesar dos meus poderes, fui contaminado.


Seus sintomas ocorrem 52 vezes por ano. Se eu viver por 80 anos, passarei por isso 4.160 vezes. É muito sofrimento para uma pessoa só. É pior que Kryptonita porque vai matando aos poucos.


Os habitantes da Terra chamam esse período negro da vida de “segunda-feira”.


Ahh, que dia terrível esse! Se há algo pra dar errado, esse é o dia.


Seus sintomas aparecem desde o dia anterior. Podemos sentir a proximidade da segunda-feira por causa da quantidade de porcarias que saem da televisão desde o dia anterior à sua chegada. Sentimos náuseas, calafrios, vem uma depressão, ansiedade, irritação, nostalgia dos dias anteriores. Muitos se alcoolizam, assistem futebol ou ouvem músicas de qualidade duvidosa.


Enfim, lá no seu íntimo, você sabe que Ela está chegando.


Finalmente quando vira a meia-noite, o dia amanhece muito mais cedo do que no resto da semana. Seu corpo está em frangalhos, o uniforme não entra e a capa está amassada. A cabeça dói, as pernas não obedecem, o sol está mais quente e ofuscante do que de nunca.


O tratamento ideal seria um dia inteiro na praia. Esse sim é o dia certo para ir à praia; e não o anterior. É o dia em que mais me faria bem o sol amarelo desse sistema solar.


Mas nesse dia, de sóis mais belos, não se pode ir à praia. Pelo contrário, você se vê arrancado da cama em direção ao trabalho. Empacotado e enfurnado onde menos queria estar.


O trânsito está muito mais lento porque as pessoas estão muito mais dispersas e irritadas. Nada funciona direito. Nada é pra funcionar direito nesse dia. É completamente improdutivo. A semana deveria começar na terça. Mas, mesmo assim, Ela acontece e a gente tem que fazer força para atravessar as 24 horas de seus efeitos.


Boa sorte a todos que se descobrem super-heróis a cada segunda-feira.

domingo, dezembro 02, 2007

Tragédias e tragédias

Hoje os jornais anunciaram incessantemente uma tragédia que se abateu sobre grande parte da nação.


Vi homens e mulheres aos prantos, com as mãos na cabeça sem acreditar no que viram, ligando para os parentes, buscando consolo.


Vi jovens que, desde que saíram das placentas de suas mães, jamais poderiam esperar o que viram, desolados, imaginando como será o seu futuro daqui pra frente.


Não caiu outro avião, nenhum prédio explodiu, não fomos invadidos por ninguém, não morreu ninguém importante; apenas o coríntians, que foi rebaixado para a segunda divisão.


O que muda na minha vida? Não sinto nada, mas espero ver o desânimo nas ruas, as piadas de gregos contra troianos, a revolta e, quiçá, a violência, sob a justificativa da neurose futebolística.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Resgate Cultural


Já é Carnatal e a cidade assume seus ares de inabitável.

O populacho transita opiado pelas ruas.

Agora há mais um assunto, além da neurose futebolística.

Os carros entulham as ruas e todos vão na mesma direção para lugar nenhum.

O retórico e democrático mal-gosto dá o tom.

São “ulelelês” e “ae-aês” entrecortados de batucadas ensurdecedoras.

A massa manobrada, o povo-gado, o cardume-humano, reduntantemente quer anunciar o que não precisa de arautos.

Dias antes, a cidade estaca em fealdade.

São tapumes, palanques e arquibancadas erguidos por todos os lados. Pequenos comércios se estabelecem com duas linhas cal no chão. Ruas, postes e pessoas se mudam, como se chegasse um furacão.

Para transitar, dormir e trabalhar, pedimos vênia ao Carnatal.


Mesmo com séculos e séculos de diferença, Carnaval e Carnatal têm a mesma finalidade: uma concessão do poder dominante para o povo celebrar suas festas pagãs.

Não vejo mais qualquer semelhança. São duas expressões culturais, mas apenas uma tem valor cultural.

Luxúrias e licenciosidades à parte, no Carnaval ainda se aprende alguma coisa com o enredo desenvolvido, há história, beleza, sonoridade, preciosismo… enfim, arte.

Já a bagagem cultural do Carnatal é inversa: aquela enorme procissão atrás do carro de som, aquele desfile social de vaidades, que toma as poucas ruas que temos, em nada me acrescenta, além da vontade de conhecer outros lugares fora daqui.

Não há explicação, justificativa ou qualquer realização nesse acontecimento; apenas o lucro de poucos e a dor de cabeça de vários.

O único resgate cultural do Carnatal é a reafirmação daquela máxima universal: “o seu direito termina onde começa o meu”.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Saudades de Krypton


Ai que saudades de Krypton.

Que saudades das suas brancas paragens de gelo, cristal e paz.

Que saudades do silêncio.

Lá é possível alguns momentos silêncio, sem essa incessante euforia dos terráqueos, com seu obcessivos lixos musicais.

Esse planeta tornou-se muito barulhento à medida que cresceu o egoísmo das pessoas.

Há raríssimos locais em que se pode desfrutar do silêncio necessário ao descanso.

Todos falam alto, todos são espalhafatosos e indiscretos, o barulho foi democratizado.

A relação dos terráqueos com o barulho é tão íntima que eles passaram a ouvi-lo como se fosse música.

Nós de Krypton já conhecemos todos os níveis de poluição e as superamos.

Vocês da Terra ainda engatinham nos conceitos de poluição sonora.

Você pode me perguntar por que eu tenho uma fortaleza da solidão, bem longe daqui, no pólo norte, impenetrável, onde ninguém chega nem fica em volta fazendo barulho.

Mas ali é o único lugar onde eu consigo um minuto de paz e silêncio nesse planeta; onde eu posso descansar um pouco mais sem ouvir uma barulheira indesejável, um sorveteiro ensurdecedor, um vendedor de qualquer coisa, que não dispensa um alto-falante, ou alguém que conversa para mais de cinquenta metros.

O planeta está todo tomado pelo barulho. A mente dos terráqueos não funciona sem o neurorritmo incessante a que se condicionaram. É uma doença, ao que parece, incurável.

A liga da justiça terá que providenciar um isolamento acústico no planeta, para vocês não incomodarem o resto do universo.

terça-feira, outubro 09, 2007

Siglas


Quando nasci fui chamado de RN, mas logo me distingui pelo CEP, onde pago o aluguel reajustado pelo IGPM e guardo meu carro financiado pela ABN.


Ao sair da fralda pro WC, comecei a pagar IR pelo CPF e me rastreiam pela CPMF.


Sofri até aprender o que é TPM.


Estudei CF, CC, CPC, CP e CPP para entrar na OAB.


Não me conformo de descontarem em mim o estresse do TCC só por causa da ABNT.


Pra relaxar vou à praia, mas por causa do UVA e UVB, uso FPS20.


Depois de tanto trabalhar, me aposento pelo INSS.


O Governo não se entende pelo P... MDB, SDB, SOL, T, C, L, ou V.


Lá em SP, terra do PCC, escorregou um avião da TAM e botaram a culpa na ANAC.


Nos EUA, os aviões da AA foram jogados contra o WTC.


Mas muita gente também morre de AIDS, mata pelo IRA ou sobrevive pela ONU.


No mundo do PC, me reduzi a um VC e levo no peito apenas um “S”.


Tudo tem nome, mas tudo tem sigla.


Disfarçamos os nomes em siglas para esconder seus efeitos. São como os xaropes amargos que transformaram em cápsulas pra ficar mais fácil de engolir. Abreviadas letrinhas que contêm séculos de história, milhares de vidas ou bilhões de dólares.


Não podemos viver sem as siglas. Elas afetam do pobre ao VIP.


P.S.: Se não tem como fugir das siglas, vou mandar essas FDP pra PQP!

segunda-feira, setembro 24, 2007

Mais um dia na vida do Superman


Sexta-feira, 16h, uma loucura de trânsito.


Paro no semáforo e olho para o lado. Vejo uma criança de 3 anos em pé, no banco da frente do carro, sem cinto de segurança.


Olho pra cara da mãe da criança e não é a das mais amistosas.


Tenho que fazer alguma coisa. Sou um super-herói. Super-heróis não hesitam, senão não seriam heróis; senão não usariam capa e seriam à prova de balas.


Vou falar, mas lá vem bala! Ela vai dizer que a filha é dela, que eu não tenho nada com isso, me chamar disso e daquilo outro, mas a situação está bem definida: eu sou o herói, a vítima é a criança e a bandida, a mãe dela.


Falei. Veio chumbo. Disparou olhares e palavras. Nada de mais. Estou acostumado e nem senti. O objetivo maior foi alcançado: a criança foi pro banco de trás.


A invulnerabilidade é a compensação da exposição.


Mais um dia na vida do Superman.


Para o alto e avante!

quarta-feira, setembro 19, 2007

O trabalhador e o investidor

Outro dia me perguntaram se eu sabia de uma oportunidade de emprego.


Respondi que ia ver se conhecia alguém que estivesse precisando daquele tipo de profissional.


A pessoa, talvez usando da liberdade que tem comigo, pediu a fórmula mágica da oferta e da demanda: “Mas tem que ser um emprego que ganhe muito e que trabalhe pouco, viu?”.


Devolvi a ousadia em tom de brincadeira (com o devido respeito a uma minoria): “Você não quer ser juíza de direito não?”.


E ela foi ainda mais longe e retrucou: “Nãaaoooo.... pra isso tem que ser formado e passar em concurso!!! É muito difícil”.


Já impaciente com a folga, disse: “Então entra pra política, vai ser candidata a alguma coisa, ora! Pra isso não se exige qualquer formação e paga-se bem até demais”.


E ela ainda me respondeu, desanimada: “Ahhh... mas pra isso precisa ter muito dinheiro e isso eu já não tenho!”.


Chegamos ao fim da conversa comigo sugerindo a ela investir na bolsa… na bolsa giratória nas esquinas da cidade, quem sabe assim ela chega a atuar um pouco em cada uma dessas áreas.


Ela abriu um sorriso animado e os olhos brilharam, como se já antevendo o sucesso do empreendimento.


Para o bom entendedor, esses parágrafos resumem a situação do país.