segunda-feira, agosto 11, 2008

As colheres


(Adaptado de um texto anônimo, mas dedicado à amiga Lívia, em agradecimento)


Conta uma lenda que Deus convidou um homem para conhecer o céu e o inferno.


Foram primeiro ao inferno.


Ao abrir a porta, o homem viu uma sala em cujo centro havia um caldeirão de sopa e à sua volta pessoas famintas e desesperadas. Cada uma delas segurava uma colher, porém de cabo muito comprido, que lhes possibilitava alcançar o caldeirão, mas não permitia que colocassem a sopa na própria boca.


O sofrimento era grande.


Em seguida, Deus levou o homem para conhecer o céu.


Entraram em uma sala idêntica à primeira: havia o mesmo caldeirão, as pessoas em volta e as colheres de cabo comprido.

Mas ali todos estavam saciados. Não havia fome nem sofrimento.


“Eu não compreendo”, disse o homem a Deus, “por que aqui as pessoas estão felizes enquanto na outra sala morrem de aflição, se é tudo igual?”.


Deus sorriu e respondeu:

Você não percebeu? É porque aqui eles aprenderam a dar comida uns aos outros”.


Vimos que as pessoas na sala do inferno estavam tão preocupadas com seus próprios problemas particulares que não pensavam em alternativas para resolver a situação do grupo.


Como todos estavam querendo safar a si próprios, não buscaram alternativas para o problema. Contudo, se houvesse espírito solidário e ajuda mútua, como na sala do céu, a situação teria sido rapidamente resolvida.


Dificilmente o individualismo consegue transpor barreiras. A consciência particular de fazer parte de um “todo” é essencial para a evolução espiritual. Uma equipe participativa, homogênea, coesa, vale mais do que um batalhão de pessoas alienadas e com posicionamentos isolados. Isso vale para qualquer área de sua vida. Não fosse assim, certamente teríamos nascido sozinhos no planeta.


Portanto, “céu” e “inferno” não são lugares geográficos; e sim estados de espírito que construímos e espalhamos em nosso entorno.


Boa sorte a todos que se empenham em mudar o estado de nosso planeta, ao invés de tentar apenas mudar a si próprios de lugar.



sábado, agosto 09, 2008

Se as olimpíadas fossem no Brasil…

Teríamos uma festa de abertura pomposa, mas patrocinada por licitações escusas e falcatruas que enriqueceriam os já ricos.


Ela seria permeada pela guerra de folcloristas chatos, cada um defendendo expressões culturais sem expressão no nosso país. Em vez de “rota da seda”, não é muito mais interessante tratar da “rota do tráfico”?


Veríamos autoridades vaiadas e personalidades brigando para aparecer.


Iríamos mostrar o resultado de nossas centenas de anos de cultura: música estrangeira, calipso, axé, eletro-forró, sertaneja e futebol.


Teríamos uma das melhores emissoras de televisão do mundo mostrando as várias etnias que formam a nossa sociedade: pardos, pobres, excluídos, explorados, índios dizimados, meninos de rua, políticos corruptos, traficantes e vítimas sociais.


A festa faria a festa para catadores de latinhas e flanelinhas e quem não tivesse seu carro roubado no estacionamento poderia ir pra casa feliz, sentindo-se encaixado no mundo, sem saber o quanto ainda falta para a verdadeira civilidade.


Isso tudo, se não faltasse luz no estádio na hora da cerimônia ou a queima de fogos não atingisse ninguém, causando uma tragédia que terminaria no corredor de um hospital lotado. Conhecemos a triste combinação das licitações que tem o critério do menor preço: a menor qualidade e o maior risco possível.


Depois da abertura das olimpíadas na China fiquei ainda mais fã dos chineses e de sua cultura milenar, mas ainda mais desconfiado da nossa, ainda a engatinhar.


Ainda bem que as olimpíadas não foram aqui e sim na China. Eu ia apertar meus olhos para não ver nada disso.


segunda-feira, agosto 04, 2008

Tempo certo


Hoje eu vou postar esse texto abaixo, enviado a mim por uma amiga muito querida, porque ele fala de expectativas e ansiedades, da diferente sensação da passagem do tempo nas pessoas e, sobretudo, de esperança.


Tempo certo


De uma coisa podemos ter certeza:
De nada adianta querer apressar as coisas;
tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto.

Mas a natureza humana não é muito paciente.
Temos pressa em tudo,
aí acontecem os atropelos do destino,
aquela situação que você mesmo provoca
por pura ansiedade de não aguardar
o Tempo Certo.

Mas alguém poderia dizer:
Mas qual é esse tempo certo???
Bom, basta observar os sinais...


Quando alguma coisa está para acontecer
ou chegar até sua vida,
pequenas manifestações do cotidiano,
enviarão sinais indicando
o caminho certo.


Pode ser a palavra de um amigo,
um texto lido, uma observação qualquer;
mas com certeza,
o sincronismo se encarregará de colocar você
no lugar certo, na hora certa, no momento certo,
diante da situação ou da pessoa certa!!!
Basta você acreditar que
Nada Acontece Por Acaso!!!


terça-feira, julho 29, 2008

A letra e o ponto


Um manuscrito pode parecer estranho nos dias em que vivemos, de tanta tecnologia de telecomunicações, de tanta digitação. Pode parecer arcaico até, porque nossa geração se despede da caligrafia, de tanto que se digita, de tanto que não mais se escreve.


Por isso, o conceito de escrever bem se dissociou do conceito de escrever direito. Expor as idéias com clareza é completamente diferente de conseguir se fazer entender através da própria letra.


Esqueçamos a fonte, se é times, arial ou verdana; lembremos apenas das letras, bem trabalhadas, esmeradas, caprichadas.


Se a letra revela muito da personalidade de quem escreve, como uma verdadeira impressão existencial; a fonte do computador termina por nivelar a todos numa mesmice impessoal e incógnita, distinguível apenas pelo estilo literário, de quem o tiver. Daí aparecerem tantos falsos Jabour, Veríssimo, Gabriel Garcia Marques, dentre tantos.


O manuscrito contém uma mensagem oculta. Além de “o quê” está escrito, o “como” está escrito revela outra espécie de informação. É possível verificar o carinho, o humor, o estado de espírito, vez por outra, imperceptíveis nos meios eletrônicos.


Já que demoramos tantos milênios para descobrirmos nosso polegar, vamos usá-lo mais um pouquinho para segurar a pena, o lápis ou a caneta e produzir bons textos ou lindas cartas recheadas de sentimentos; pois esse é um uso pelo menos bem mais poético do que o mero apertar da barra de espaços do teclado do computador.

segunda-feira, julho 28, 2008

Eu recomendo!

Sua Alma Gêmea está mais perto que você imagina...


"Certa vez, um discípulo perguntou ao seu Mestre já muito velho, por que ele nunca havia se casado e o Mestre respondeu:
Eu procurava a Mulher perfeita, a minha metade e, assim, várias mulheres foram aparecendo em minha vida e as qualidades que eu buscava e que me preenchiam e satisfaziam; ora encontrava e outras horas não, quando era inteligente, não era culta, quando era sensual, não era bonita, quando era organizada, era chata e por aí afora...
Você quer me dizer que nunca encontrou a Mulher perfeita?
Encontrei, encontrei sim, mas aí foi Ela quem me disse que procurava o Homem perfeito e que Eu não era ele..."


mais em: http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=13789&onde=2

segunda-feira, julho 21, 2008

O peso do S


Hoje gostaria de tratar da responsabilidade de ter super-poderes e deixar uma mensagem positiva para os meus amigos leitores.


Pode parecer atrativo demais vestir uma capa e uniforme e voar por aí combatendo o “mal”. Porém, ostentar esse “S” no peito é mais difícil do que parece.


O “S” significa muitas coisas. Quer dizer ao mundo que você está apto, aberto, pronto, preparado para encarar aqueles desafios dignos de super-heróis.


E um dos maiores desafios para um super-herói dos dias de hoje é fazer o certo, é o agir corretamente, é o estar afinado com seus princípios, é sustentar com bravura o peso da ética.


O desafio é tanto que chego a ficar em dúvida: ser super é conseguir fazer sempre o certo ou fazer sempre o certo é que torna alguém super?


Fazer o certo custa muito. Exige muito de nós. É preciso super-força para agir corretamente. Agir correto nos coloca em cada situação que só com muita coragem enfrentamos os dilemas e as conseqüências das escolhas da vida.


Muitos querem ser “super”, mas nem todos querem fazer o certo. Por isso que a negligência, o descaso, a incompetência, a burla e a vista grossa imperam; porque agir assim não exige comprometimento algum. Só quem veste verdadeiramente a sua capa pode se dizer comprometido com o bem – e muitos não estão preparados para isso.


Imagine um mundo como o idealizado por John Lennon, em que todos agissem corretamente e isso fosse o normal e o errado que chocasse. Não haveria necessidade de super-heróis, porque não haveria mais vilões. Todos seriam “super”, como era em Krypton.


Porém, num mundo como o nosso, onde o fazer errado atingiu a banalidade, quem quer ser “super” deve se manter forte e não esperar reconhecimentos, apenas continuar agindo de acordo com os propósitos maiores e construir exemplos para atrair ou descobrir mais “super´s” escondidos por aí, semeando um planeta melhor.


Boa sorte àqueles que escolheram o árduo caminho do “super”, porque estes são realmente fortes e sustentam as virtudes do nosso mundo.


quinta-feira, julho 17, 2008

Felizes


Poderíamos achar que é impossível encontrar alguém que nos faça feliz, já que nos dias de hoje tem se mostrado tão difícil a total compatibilidade de gêneros.


Poderíamos achar que o fazer feliz é apenas satisfazer necessidades.


Poderíamos achar que, para aqueles que devem ser felizes, a felicidade chega de todo modo, não sendo necessário nada além de um estado passivo e estático, uma postura de vegetal, enraizados à espera de chuva e sol.


Porém, discordo. Ser feliz com alguém é justamente o oposto.


Primeiramente é um querer, é um estado individual. Não se pode estar feliz com alguém não se estando por dentro.


Depois, não é esperar do outro que ele faça tudo que a gente gosta, mas sim um constante reconhecer, desvendar e descobrir as coisas de que o outro gosta, e fazer esse tudo para o outro, porque aquilo de que nós gostamos chegará como conseqüência natural.


E digo mais. Ser feliz com alguém nunca será uma postura passiva. Ser feliz em par exige atitude, busca, raciocínio, inteligência, sabedoria, experiência, movimento e adaptação, carinho, amor, zelo, paciência, renúncia, alegria, desapego, humildade, compreensão.


Lâmpadas apagadas de nada servem, motores potentes são inúteis sem combustível, os barcos foram feitos para enfrentar os riscos dos mares. Quem não sai em busca da felicidade sequer a merece.


Você pode achar que essa fórmula mágica é falha, porque nesse exato momento faz de tudo pelo seu par e não está recebendo nada em troca ou sendo reconhecida.


Mas não se esqueça: eu disse que é possível encontrar alguém e com ele ser feliz, e não que a pessoa com quem você está agora seja esse alguém. Cabe a você desenvolver a sua percepção e realizar seus movimentos.


terça-feira, julho 15, 2008

Senhores do Destino


Na última postagem falei de previsão do futuro. Descartei o determinismo e a fatalidade. Acredito mais em futuro provável, em programação, em sensibilidade.


Acredito que somos agentes das nossas vidas e não escravos do destino. Com sensibilidade, programamos e ajustamos constantemente o nosso rumo, de acordo com as nossas escolhas.


Como tão bem foi colocado nos comentários, se não houvesse escolhas a fazer e se não fossem essas escolhas quem determinassem o rumo de nossas vidas, na verdade nem existiria propriamente vida. Não haveria graça, surpresa, aprendizado, tombo e soerguimento, pois estaríamos presos na Matriz. Somente através das escolhas, exercemos a plenitude de nossa existência.


Na postagem de hoje trato justamente dessas escolhas na vida, da dificuldade que muitas vezes se manifesta o exercício do livre-arbítrio. Erramos e acertamos muito, mas o saldo é positivo. Aprendizado não se perde.


Dizem que a medida de nosso sucesso não são nossas conquistas, mas do que renunciamos para tê-las.


Quanto mais difícil o exercício do livre-arbítrio parece ser, maior se revela o aprendizado ali embutido. É o desapego e a renúncia, a coragem, o auto-controle, a responsabilidade, a maturidade, a disciplina, a experiência, enfim, são necessários um sem-número de escores, de qualificações, de habilidades desenvolvidas, que vamos acumulando ao longo da vida, para que encaremos desafios ainda maiores que os anteriores.


Não é por ser Super que estou isento de temer escolher errado. O medo faz parte da minha vida todos os dias, porque todos os dias faço escolhas. Umas mais, outras nem tanto, mas algumas terríveis de se decidir.


Quando lutar e quando recuar? O receio da kryptonita deve me impedir de lutar? Renunciar aos super-poderes para viver como homem comum, ou estar preparado para não ter uma vida comum por ter super-poderes? Ter uma vida comum como Super e expor as pessoas que amo às ameaças dos vilões, ou viver as confusões de uma dupla-identidade para protegê-los? A quem contar sobre meus poderes? Quando serei Clark, tímido, hesitante, paciente, pacato; e quando serei Super, arrojado, destemido, veloz e poderoso? Super tem amigos de verdade? Quem protege aquele que nos protege?


Insistir ou desistir? Dizer sempre a verdade, mesmo que fira, ou se omitir e ferir a mim mesmo? Agir sempre de acordo com os seus sentimentos? O quanto é nossa responsabilidade o sentimento dos outros?


Como se diz, experiência não são as coisas que nos acontecem, e sim o que fazemos com as coisas que nos acontecem. De mesmo modo, esses dilemas não constroem o nosso destino, e sim o que fazemos com eles, pois o verdadeiro erro é se omitir, é o não atuar, é o não participar da própria vida.


Boa sorte a todos que se enchem de coragem para participar da própria vida.


domingo, julho 13, 2008

Seria tão bom poder prever o futuro


Seria tão bom poder prever o futuro. Jogar na sena e ganhar muito dinheiro pra ajudar pessoas. Não sair de casa pra não sofrer um acidente aéreo ou sair, para que o seu prédio não te mate ao desabar. Saber o dia em que você vai encontrar o amor da sua vida e caprichar no visual ou se nunca vai encontrá-lo, e se conformar com isso.


Mas não acredito em previsão do futuro. Acredito em futuro provável. Porque as variáveis são inúmeras. Para acontecer um fato que foi “previsto” seria preciso o alinhamento de um sem-número de variáveis, o que dificilmente ocorre, fazendo sempre divergir a previsão do real.


Além disso, prever o futuro, acreditem, pode trazer mais agonia do que tranqüilidade, e nem todos têm condições de lidar com o peso da informação.


Imagine-se sabedor de um fato grave, com uma catástrofe, e não ter meios de interceder e avisar a tempo. E se pudéssemos avisar, quantos acreditariam e quantos deixariam de agir normalmente até o desfecho fatal?


Você viveria tranquilamente por saber e não ter avisado? E se isso acontecesse uma vez por semana, viraria trauma ou banalidade em seu coração?


Imagine prever a descoberta de um continente, a dizimação de uma civilização ou o surgimento de um grande tirano.


Como não intervir na autodeterminação e crescimento espiritual daquele povo? Como evitar as lições advindas mesmo das coisas ruins que nos acontecem? É preciso a escuridão pra enxergar a luz.


Imagine-se sabedor de um fato grave a você ou a alguém que lhe é caro, como uma doença ou acidente. Você manteria a calma e deixaria as coisas acontecerem ou tentaria, de todo modo, alterar o futuro?


É será que, nessa mera tentativa, não se estaria já alterando o futuro para outros fatos, que terminariam redundando no mesmo desfecho fatal?


Por essas e outras acho que é melhor a incapacidade de prever o futuro. O bom, a graça da vida, é viver a dúvida, o exercício responsável da escolha a cada momento, como se ele fosse o último.


O bom é o amadurecer das nossas decisões e condutas, é ter outras chances de acertar e aprender com os erros, é passar a experiência adiante, e, com isso, exercer a sensibilidade do “futuro provável”, como se víssemos uma tênue luz no fim do túnel a nos indicar um provável caminho a seguir, mas sempre de acordo com nossas escolhas.


Mais do que em “fatalidade”, acredito em “sensibilidade”. Essa sim, nos levará a um futuro melhor. Isso eu posso prever.


Boa sorte a todos que estão desenvolvendo sua estreita ligação com os super-seres que são.


terça-feira, julho 08, 2008

O estranho benfeitor


Tem chegado à nossa redação relatos de um estranho benfeitor na cidade. O repórter investigativo Clark Kent foi designado para levantar a história e apurou os seguintes depoimentos:


“Já era tarde da noite e eu estava trocando o pneu de meu carro quando alguém parou na minha frente. Pensei logo que fosse assalto. Uma rua deserta e eu ali dando bobeira. Temi pela minha vida e de nunca mais ver meus filhos. Ele se aproximou e apenas me ofereceu ajuda. Perguntou se eu precisava de alguma coisa. Disse que não, mas ele ficou ali até eu terminar. Saí dali achando tudo muito esquisito, mas admito que me senti protegido de algum modo.” (Jaime, 34, corretor).


Célia, 28, desempregada, disse que voltava do presídio onde visitava o marido preso, quando começou a chover.


“Fiquei desesperada porque estava com meu filho num braço e uma sacola de roupa na outra. De repente um carro parado com a porta aberta nos oferecendo carona. Desconfiei, mas entrei porque era o jeito... com aquela chuva.... Mas nada de mal nos aconteceu. Ele nos levou até em casa e foi embora sorrindo para meu bebê”.


Mas situações mais perigosas ficaram marcadas pela atuação desse estranho benfeitor:


“Quando desci da calçada senti um puxão para trás. Não teria percebido o caminhão que passou bem pertinho de mim e ia me pegar de cheio. Se não fosse ele, nem sei onde estaria agora. Nem pude agradecer. Quando reparei, ele tinha sumido tão rápido quanto surgiu (Mirtes, 62, dona-de-casa).


Aline, 20, estudante, conta uma situação engraçada:


“Ele parou o carro do meu lado com uma conversa estranha sobre um endereço, mas enquanto pensava ele me interrompeu perguntando se notei que estava sendo seguida. Por quem? Perguntei. Ele me apontou dois caras que acabaram de passaram por nós enquanto conversávamos. Disse que eles vinham descendo a rua atrás de mim desde a parada do ônibus. Com aquela conversa me salvou de um assalto ou coisa pior. Falou para tomar mais cuidado e partiu de repente”.


Até mesmo com um simples olhar nosso estranho tem atuado.


“Estava distraída quando joguei o papel de sorvete no chão, mas reparei aquele homem me olhando de um modo tão direto e doce ao mesmo tempo, que fiquei constrangida com meu ato. Peguei o papel e pus na lixeira”. (Ivete, 56, Secretária).


“Estava desesperado. Na época ninguém me dava emprego e tinha família pra sustentar. Fiquei tentado quando vi aquela bolsa aberta no ônibus. Quando ia meter a mão, vi aquele cara me olhando nos olhos. Não disse nada, mas desisti sem precisar ser denunciado. Nunca mais faço isso de novo”. (Sandro, 30, ambulante).


“Não acreditava que estava naquela situação logo no meu aniversário. Pensava em acabar com minha vida e antecipar o fim de meu sofrimento. Chorava sentada na calçada quando ele se aproximou e perguntou o que aconteceu. Passei um tempão apenas falando e isso bastou para me sentir melhor. Quando me acalmei ele se sorriu e se despediu de mim. Foi o melhor presente de aniversário que ganhei... vontade de continuar vivendo e lutar”. (Rute, 43, desempregada).


Parece que alguém anda muito ocupado cuidando dos outros sem precisar usar qualquer super-poder.


Quem será esse benfeitor?


Ele pode ser qualquer um de nós, inclusive você!


segunda-feira, julho 07, 2008

Extra, extra!

Eu recomendo:


Pressa no amor?
http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=13541&onde=2

A magia do reencontro
http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=13098&onde=2





Implicante - Ana Carolina



Hoje eu levantei com sono
Com vontade de brigar
Eu tô manero pra bater
Pra revidar provocação
Olhei no espelho o meu cabelo
E tudo fora do lugar
Vê se não enche e não me encosta
Tô bravo que nem leão
E não pise no meu calo
Que eu te entorno feito água
E te jogo pelo ralo
Hoje você deu azar
Hoje você deu azar
 
De que vale seu cabelo liso   
E as idéias enroladas dentro da sua cabeça 
De que vale seu cabelo liso
E as idéias enroladas dentro da sua cabeça
 
Hoje eu vou mudar o seu destino
Te passar no pente fino
Então desfaça sua trança
Que hoje eu tô meio inconstante
Você tão permanente
Com a gente tudo enrolado
Não adiante creme rinse
Corta as pontas da sua mágoa
Que hoje eu tô meio Implicante
Hoje você deu azar.


Mesmo assim, te adoro MM!!!!!

sexta-feira, julho 04, 2008

A linguiça


Recebi esse texto pela internet. Ele é atribuído a Arnaldo Jabour.

Embora não acredite muito, a mensagem dele é o mais importante.


A lingüiça


À medida que envelheço e convivo com outras, valorizo mais ainda as mulheres que estão acima dos 30.


Elas não se importam com o que você pensa, mas se dispõem de coração se você tiver a intenção de conversar. Se ela não quer assistir ao jogo de futebol na tv, não fica à sua volta resmungando, pirraçando... vai fazer alguma coisa que
queira fazer... E geralmente é alguma coisa bem mais interessante.


Ela se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer.


Elas definitivamente não ficam com quem não confiam; mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem.


Você nunca precisa confessar seus pecados... elas sempre sabem... Ficam lindas quando usam batom vermelho. O mesmo não acontece com mulheres mais jovens... Por que será, heim??


Mulheres mais velhas são diretas e honestas.

Elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um!

Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela.

Basta agir como homem e o resto deixe que ela faça...

Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 anos!


Infelizmente isto não é recíproco, pois para cada mulher com mais de 30 anos, estonteante, bonita, bem apanhada, sexy, e bem resolvida, existe um homem com mais de 30, careca, pançudo em bermudões amarelos, bancando o bobo para uma garota de 19 anos...


Senhoras, eu peço desculpas por eles: não sabem o que fazem!


Para todos os homens que dizem: 'Por que comprar a vaca, se você pode beber o leite de graça?', aqui está a novidade para vocês: hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento e sabem por quê? Porque 'as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça!'


Nada mais justo!

segunda-feira, junho 30, 2008

A mulher da minha vida



Muita gente busca a “pessoa da sua vida”, a sua “alma gêmea”, a “outra banda da laranja”, conforme o gosto de cada um. Mas o que poucos se perguntam é: quem vem a ser essa pessoa?


Eu já sei quem é a minha.


Ao pensar em referências de amor, atenção, zelo, respeito, do que dá ou não certo num relacionamento, vou sempre lembrar dela. Ela quem me estimula a seguir em frente.


Pessoas vêm e vão; relacionamentos são eternos enquanto duram e amores, com alguma sorte, viram boas amizades, mas não há presença mais duradoura que a figura da “ex”. A “ex” estará sempre na sua vida. “Ex” é pra vida toda!


Não há problema algum quando os relacionamentos terminam bem. A “ex” será sempre um prazer, alguém guardado com carinho no coração para o resto da vida.


O crítico é quando a “ex” deriva de algo mal resolvido, quando há mágoa, quando há sentimentos não correspondidos ou feridos. Desse jeito, a “ex” pode se transformar numa pedra no sapato que você terá que calçar durante o resto do seu caminhar. O único jeito de se livrar da “ex” é substituindo-a pela atual.


É difícil não encontrar alguém que não tenha “ex”. Só quem não teve qualquer relacionamento antes (ou durante) o atual, não sabe o que é isso.


Mesmo assim, acho que é melhor ter “ex”, mesmo que sejam muitas, do que não as ter.


Não as ter, para mim, soa como não ter vivido, não ter “ex-perimentado”, não ter errado, não ter tentado e, possivelmente, ter se acomodado em algo que não te realiza mais. Como saber se alguém é a pessoa de sua vida, se você não vive de verdade?


Pelo contrário, ter “ex” é ter experimentado e adquirido experiência, ter conhecido mais a si e à natureza humana, é se entender mais apto a acertar na próxima vez e ter construído amizades ternas e eternas. Como saber de relacionamentos sem ter passado por eles?


Errar faz parte do processo de acertar. É errando que se aprende; é se acomodando que se erra.


Não podemos ficar neutros o tempo todo. Faz parte da natureza humana a inquietude, a busca pelo melhor, o constante evoluir.


Passividade não é natural para a espécie humana, mas uma covarde adaptação causada pelos nossos medos atuais. Estar “em cima do muro” é algo que deve ser apenas passageiro, transitório, é o passar por estados muito bem definidos.


Como diz Osho, o equilíbrio não é substantivo, é verbo: equilibrar-se.



sexta-feira, junho 27, 2008

O anel (anônimo)

Um aluno chegou a seu professor com um problema: - Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Dizem que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?


O professor sem olhá-lo, disse:- Sinto muito meu jovem, mas agora não posso ajudá-lo, devo primeiro resolver meu próprio problema. Se você me ajudar, eu posso resolver meu problema com mais rapidez e depois talvez possa ajudar você a resolver o seu. - Claro, professor, gaguejou o jovem, mas se sentiu outra vez desvalorizado.


O professor tirou um anel que usava no dedo, deu ao garoto e disse: - Monte no cavalo e vá ate o mercado. Deve vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida. É preciso que obtenha pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda o mais rápido possível. O jovem pegou o anel e partiu.


Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, mas quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele. Só um velhinho foi amável explicou que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel. Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e mais uma de cobre, ele seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.


Depois de oferecer a jóia a todos que passavam pelo mercado e abatido pelo fracasso, montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel e livrar da preocupação seu professor e poder receber sua ajuda e conselhos.


Entrou na casa e disse: - Professor, sinto muito, mas é impossível de conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir 2 ou 3 moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.


- Importante o que me disse meu jovem, contestou sorridente. Devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dá por ele. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda. Volte aqui com meu anel.


O jovem foi até o joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse: - Diga ao seu professor que, se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel. - 58 MOEDAS DE OURO! Exclamou o jovem. - Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente...


O jovem correu emocionado à casa do professor para contar o que correu. - Senta, disse o professor e depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, disse: Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. Só pode ser avaliada por um especialista. Pensava que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor?


E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo. Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.


Repense o seu valor!

sexta-feira, junho 20, 2008

A pessoa errada


Pessoa errada

(Luis Fernando Veríssimo)

Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivencia e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.


Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.


Porque a pessoa certa faz tudo certinho!
Chega na hora certa, fala as coisas certas,
faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.


Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor...
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
que é pra na hora que vocês se encontrarem
a entrega ser muito mais verdadeira.


A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono.
Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.


Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo,
porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo!


O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo...


E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra
gente...

sexta-feira, junho 13, 2008

Uma pitada irresistível de sarcasmo...

Sinais da vida. Para bom entendedor basta.

Hoje é dia de Santo Antônio, santo casamenteiro... e também sexta-feira 13.

Cuidado com o que se pede porque pode ser realizado.


quarta-feira, junho 11, 2008

Solidão


Pode parecer paradoxal no dia dos namorados falar de solidão, mas eu mesmo este ano estou sozinho e isso não quer dizer que me sinta só, solitário; estou apenas sozinho, por enquanto acompanhado de mim mesmo.


Do muito que vi, do pouco que sei, pior que solidão-sozinha é solidão-acompanhada: o estar junto, mas ser incompleto. Por isso tenho ficado tão preocupado com algumas posturas sobre relacionamento.


Por medo da solidão-sozinha, muita gente se submete a estar com alguém apenas por estar. Apenas para não ficar sozinho, não se põe fim ao que perdeu a razão de ser. Por medo da solidão-sozinha, há uma espécie de busca frenética “por alguém” no meio da multidão que nos dê alento. E paga-se bem. Pessoas se colocam numa espécie de “bolsa de valores”, subindo suas cotações, inflacionando o mercado ou gerando amargas taxas de juros a curto prazo. E no fim, quem tem o “seu” não larga o osso de jeito nenhum, como se fosse a “última coca-cola do deserto”.


Sei bem que a solidão-sozinha é dura. Não é fácil estar sozinho. A solidão não tem pressa em destruir o nosso ânimo, em amolecer nossos brios e baixar nossos padrões e auto-estima. Os poetas descrevem bem esse mal. Para Marisa Monte, solidão “é lava, que cobre tudo”, e em Alceu Valença, “é fera, devora, é amiga das horas e prima irmã do tempo”.


Mas, como acredito na dualidade, não há mal que não traga um bem; não há tempestade que não anteceda o sol; não há noite que não termine em amanhecer. Na solidão-sozinha é possível ter mais contato com alguém bastante interessante, de quem nos perdemos há muito tempo, mas que tem tanta coisa a nos revelar: nós mesmos.


Entrar em contato consigo próprio é altamente propício, dá auto-conhecimento, auto-controle, diminui a ansiedade, balança as experiências vividas e nos prepara para um futuro melhor. Quem não fica um pouco só, também não se conhece, não desenvolve a própria força, não desapega das muletas emocionais. Portanto, dificilmente se poderá ficar apto a realmente conhecer um outro alguém.


Se, para casar, é preciso coragem, muito mais é necessária para se separar, para por fim ao que não está dando certo. Por isso que, diante do “mal com ele, pior sem ele”, respondo “antes só do que mal acompanhado”.


Não é que a gente se baste e que não precise de ninguém. Muito pelo contrário. É que cada minuto vivido com a pessoa errada, é um minuto perdido com a pessoa certa. O medo nos paralisa, nos impede de viver e permanecemos na ilusão e na perda de tempo.


Boa sorte a todos que não desperdiçam um minuto de suas vidas e já entenderam que só formamos “dois” unindo “um” e “um”, e que, mais importante do que estar namorando, é estar enamorando. Então: feliz dia dos enamorados!


sábado, junho 07, 2008

Tênis ou Frescobol?




A postagem de hoje é mais que adequada, inclusive porque, quando todos dizem que você não tem razão, a ponto você mesmo questionar suas idéias, ocorre uma genialidade como essa que nos permite continuar na segura convicção de nosso pensar.

O texto abaixo, o qual tomo licença para transcrever, é de Rubem Alves, no site:

http://www.rubemalves.com.br/tenisfrescobol.htm.


Vale a pena lê-lo e refletir sobre cada passagem. Divirtam-se.


Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:
‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...(O retorno e terno, p. 51.).